Análises Biométricas de Palmeiras Juçara de Fragmentos Florestais no Sul do Espírito Santo

Nome: João Felipe de Brites Senra
Tipo: Tese de doutorado
Data de publicação: 19/02/2015
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Adésio Ferreira Orientador
Marcia Flores da Silva Ferreira Co-orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Adésio Ferreira Orientador
José Maria Dalcolmo Examinador Externo
Marcia Flores da Silva Ferreira Coorientador
Milene Miranda Praça Fontes Examinador Interno
Rodrigo Sobreira Alexandre Examinador Interno

Resumo: A espécie Euterpe edulis Martius é nativa da Mata Atlântica e conhecida popularmente como palmeira juçara. Esta é uma espécie chave da Mata Atlântica, pois produz frutos que são consumidos por cerca de 30 espécies de aves e 13 espécies de mamíferos além de possuírem um grande potencial econômico para ser explorado na forma de polpa de fruta, doce e sovertes. Atualmente a palmeira juçara encontra-se na lista oficial das espécies ameaçadas de extinção no Brasil. Este trabalho teve por objetivos: estimar o coeficiente de repetibilidade e de determinação de características dos frutos e das sementes, analisar o número de medições para um nível de confiança de 95% e testar diferentes metodologias de estimação da repetibilidade; estudar a diversidade genética entre os acessos e avaliar o padrão de germinação das sementes via modelos não lineares Logístico, Gompertz, Von Bertalanffy e Will Bill; quantificar a diversidade genética interpopulacional da espécie baseada na correlação entre caracteres vegetativos e relacionados à produção de frutos. A coleta dos frutos da palmeira juçara foi realizada em 20 fragmentos florestais nos município da região Sul do estado do Espírito Santo: Alegre (oito fragmentos); Guaçuí (quatro fragmentos); Ibitirama (três fragmentos); Jerônimo Monteiro (um fragmento); Mimoso (três fragmentos); e Muqui (um fragmento). Para o estudo de repetibilidade foram utilizados 198 acessos, 25 frutos por planta, sendo avaliado: diâmetro longitudinal e equatorial do fruto e da semente (DLF, DLS, DEF e DES) em milímetros (mm); massa do fruto e da semente (MF e MS) em gramas (g). A deviance foi estimada pelo método da máxima verossimilhança restrita (REML). Os coeficiente de repetibilidade e determinação e o número de medições necessárias foi realizado utilizando os métodos da REML, componentes principais via matriz de correlações e covariâncias e análise estrutural baseada nas matrizes de correlações e covariâncias. As estimativas dos coeficientes de repetibilidade e determinação de todas as variáveis analisadas são superiores a 0,78 e 98% respectivamente, para todas as metodologias testadas, realizando 25 medições. Para 95% de confiabilidade são necessárias 5 medições para as variáveis DLF, DEF, DLS, DES e MS e 4 medições para a variável MF. As metodologias utilizadas não diferem quanto à estimativa do coeficiente de repetibilidade para as variáveis DLF, DES, MF e MS, enquanto que para as demais variáveis as diferenças foram mínimas. Para a análise de identidade de modelos foram utilizados sementes de 45 acessos sendo avaliado: germinação; índice de velocidade de germinação; tempo médio de germinação; primeira contagem de germinação e a porcentagem de germinação. Com base nos dados quantitativos foi calculada a matriz de distância generalizada de Mahalanobis (D²) e posteriormente os acessos foram agrupados pelo método de otimização de Tocher formando quatro grupos. Em cada grupo a germinação foi analisada via regresão não linear utilizando os modelos de Logístico, Gompertz, Von Bertalanffy e Will Bill. O ajuste dos modelos foi avaliado pelo coeficiente de determinação (R²), quadrado médio do resíduo (QMR), desvio médio absoluto (DMA), critério de informação de Akaike (AIC) e critério de informação Bayesiano (BIC). O teste de identidade de modelos foi realizado pelo teste F. O modelo de Gompertz apresentou valores de β1, β2 e β3 intermediários aos demais modelos o que evita a sub ou super estimação destes parâmetros da regressão, além disso, este modelo apresenta os maiores valores de R2 e os menores valores do QMR, DMA, AIC e BIC sendo o mais indicado para descrever o padrão de germinação. O teste de identidade de modelos foi não significativo e desta forma uma única regressão não é eficiente para descrever o processo germinativo. Os grupos três e quatro possuem os maiores valores da TG indicando um maior vigor e para produção de mudas o tempo ideal para o transplantio seria de 30 dias para os grupos um, dois e quatro e 22 dias para o grupo três. Para o estudo de diversidade genética foram utilizados os dados dos frutos dos 198 acessos utilizados na análise de repetibilidade. Neste caso foram avaliados os caracteres: massa de cem frutos (MCF) e massa de cem sementes (MCS) em gramas; rendimento em polpa (RP) em porcentagem; diâmetro do caule a 1,5 m do solo (D1,5), diâmetro do caule a 1,0 m do solo (D1,0) e diâmetro do caule a 0,5 m do solo (D0,5) em milímetros; número de cachos (NC); comprimento do cacho (CC) em centímetros; número de ráquilas (NR); e altura até o cacho (AC) em metros. Com base nestes dados foi estimada a correlação genética, uma análise de componentes principais e análise de correspondência. A correlação genética entre os caracteres MCF x NR (0,44) é positiva. A característica NR é a principal determinante na variação da MCF e a seleção indireta poderá ser eficaz, dependendo de suas estimativas da herdabilidade. Os fragmentos GU3, AL4, JM1, MI1 e MQ1 oriundos de municípios diferentes são os que apresentam maior divergência genética interpopulacional entre os 20 fragmentos estudados. Os fragmentos GU2, GU3 e AL4 possuem indivíduos produtores de massa de cem frutos extragrandes (211,54 a 352,24 g) o que os tornam importantes fontes de seleção para utilização em programas de melhoramento genético da palmeira juçara visando a produção de polpa de fruta.

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